/ abril 3, 2016/ Contos, Crônicas

Quase uma hora. Sim… Faz mais ou menos quase uma hora que estou neste namoro sem futuro. Uma orgia completa e insana, regada a desejo, com casais compostos pelos meus olhos e o monitor de um lado (o de cima) e as mãos com o teclado no outro lado (o de baixo).

Neste exato momento, o teclado olha para as mãos com aquele olhar 27, dizendo “adoraria ser tocada, vem, to te esperando“. E assim vem, caminhando, investindo em uma aproximação maior, um contato mais íntimo, apertos aqui, apertos ali… Tentativa completamente falha, já que dali, não rendeu nem mesmo um verso.

Enquanto isso, os olhos aguardam ansiosamente que o monitor comece a despir o branco que veste e mostre suas cores. Uma troca justa e recheada de sedução. O monitor se joga atrás de algo mais forte, profundo, um momento em que se sinta à vontade como já fora outras vezes. E tenta devagar, chamando a atenção dos olhos, seduzindo-o de todas as formas possíveis, esperando que o seu branco seja arrancado, rasgado, assim mostrando seu conteúdo tão repleto de formas e cores. Inútil.

E o tempo passa, corre pelos ares, escorre pela ampulheta… E silenciosamente ficam, as mãos e o teclado, os olhos e o monitor, neste desejo insano de se complementarem. E assim aguardam na tentativa contínua, mesmo durante uma, duas, cinco horas, o dia inteiro.

Triste momento em que este romance não acontece, justamente pelo infortunado momento em que, entrelaçado, onde a mente vem e fica, atrapalha, não permitindo este romance repleto de desejo, mas completamente inacabado.

E assim se vai mais um dia… Quem sabe amanhã? Ou depois?

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