/ abril 24, 2016/ Contos, Jogos Mortais

No mundo catastrófico que vivemos, tudo se baseia pela estética. As pessoas esqueceram dos verdadeiros valores e hoje abraçam fielmente a estética. Pessoas fora do peso, com um tom de pele diferente, uma vida alternativa, mas com uma mentalidade fascinante, são facilmente trocadas por outras em seus corpos comprados, malhados, e sem nenhuma opinião política, nenhum conhecimento mínimo sobre algo relevante.

E neste mundo completamente estranho, é muito fácil julgar pelo que se olha e não pelo conteúdo. Esquecemos que tudo e todos, temos nossa bagagem, nossa história, nosso valor. Mesmo aquele livro feio, velho e surrado, jogado de canto na biblioteca, pode ter a história que certamente lhe acrescentará algo ou mesmo, mudará sua vida.

VG, 22 anos, um jovem estudante de Ciências da Computação em uma pequena cidade do interior de São Paulo. À vista de todos, um rapaz grande e forte com cara de poucos amigos, feição sempre fechada, sempre sério. Frequentemente visto junto de outros rapazes, bebendo ou jogando truco frente à uma loja de equipamentos de segurança.

À vista de todos, apenas um aluno vagabundo, bêbado e perdido em um curso que provavelmente não se formaria. Por essa postura, e talvez pela cicatriz que saía de seu pescoço até a base de seu lábio inferior, muitas pessoas mantinham certa distância.

Há poucos anos antes, era respeitado jogador de Rugby, namorava uma linda garota e tinha acabado de passar na primeira fase da Unesp. Vivia sempre sorrindo, saindo com seus amigos, namorando, vivendo. Mal esperava fazer a segunda fase da Unesp e experimentar a vida de universitário.

Certo dia, indo ao dentista para resolver os dentes da mandíbula, o mesmo o avisou que havia algo estranho em sua boca e avisou para que fosse ao médico. E assim o fez. Ficou sabendo então, do tumor em quase toda sua mandíbula. Este foi seu primeiro tombo.

Fez diversas operações, perdeu sua tíbia direita que foi usada para reconstrução da área perdida. Sem contar as três paradas cardíacas e o longo período internado, à base de morfina. A namorada o largou, perdeu a vaga na Unesp, descobriu que nunca mais poderia jogar rugby novamente. Esta foi sua segunda queda.

Sua terceira queda foi ouvir da ex-namorada que ela estava namorando com um amigo dele. E o tombo foi maior quando ouviu da boca dela que o motivo era pelo mesmo ser mais bonito que ele.

O resultado disso tudo foi um rapaz triste, magoado. Um rapaz que tinha tudo, perdeu tudo. E hoje vive como pode, bebendo para não só apaziguar a dor da solidão, mas também a dor da perna que sempre irá doer mesmo com os medicamentos.

A vida impõe desafios. E nós temos de atura-los. Mas ninguém tem o direito de julgar os resultados dessa batalha diária com a vida, sabendo ou não pelo que passamos. Seria tão mais fácil se todos cuidassem SÓ dos próprios problemas.

Este não é um conto, nem uma fantasia. É um fato real, a mais pura história que conto por minhas sinceras palavras, com a permissão da pessoa que me contou.

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