Alec Reidy/ abril 23, 2017/ Contos, Jogos Mortais, Retratos da Vida Real/ 0 comments

Francisco Erasmo Rodrigues de Lima, morador de rua por opção, ajudante de pedreiro, residente no marco zero da gigante São Paulo. Apesar da sua idade, 61 anos, tinha uma saúde muito boa e não parecia nada ter a idade que tinha.

Anos atrás, entre uma briga e outra, foi posto em um dilema. E diantes das opções, entre esposa e família, e a bebida, o vício falou mais alto. Saiu de casa, abandonou 4 filhos, foi morar em albergues.

Durante os anos que se passaram, seus filhos diversas vezes tentaram fazer que ele voltasse a residência. Mas resultado era sempre o mesmo, diversas negações e mais noites em albergues.

Tinha o costume de fazer o que achava certo, tentando apartar brigas diversas que presenciava nos lugares que costumava frequentar atrás de seu vício licoroso.

Certa tarde, caminhando pela Sé, viu logo ao longe uma cena inusitada. Um homem armado saía da igreja abraçado a uma mulher, em uma tentativa estúpida de escapar da polícia local.

Sem pensar duas vezes, Francisco dispara a subir a escadaria e heroicamente empurra o sequestrador. Este acaba por soltar de mulher qur consegue levantar e correr para longe. E no meio a isputa pela arma, Francisco, de braços abertos, sente em seu peito o peso do heroísmo e desfalece ali mesmo. O bandido então, é alvejado pela policia e recebe o mesmo destino.

Dias depois Francisco foi enterrado. Algo simples, sem velório. Nele estavam presente seus filhos, ex-esposa e familiares, somando onze pessoas.

Quantos mais Franciscos de Lima terão que desfalecer até que as coisas funcionem adequadamente?

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