/ novembro 13, 2016/ Contos, Jogos Mortais

A vida é algo fantástico. É uma mistura maluca de conexões, sensações, sentimentos, situações, para não dizer memórias. Algumas, boas, outras ruins, e em sua grande maioria, marcantes. Boas como sensação de leveza, aquele café com pão de queijo no fim da tarde, que você sorri só de lembrar. Ruins como aquele gosto do remédio necessário, na hora da doença, e que uma única palavra, gera uma cascata de sentimentos, e por fim, em lágrimas tristes e amarguradas.

E a vida foi feita para ser vivida. Mas, assim como uma torta que acaba de sair do forno, tudo tem seu tempo, a hora certa. Se você se apressar demais, pode acabar se queimando à temperatura dela. Se você se atrasar demais, pode não haver mais pedaços para você experimentar, ou, seu pedaço pode cair indigesto no fundo do estômago.

Mariana, com seus quase 30 anos, administradora, em sua segunda graduação em direito. Nunca havia se apaixonado. Havia claro, uma experiência em relacionamentos, mas por algum motivo, seja pelas experiências vista em seus amigos ou talvez por não querer sofrer, nunca havia dado abertura para que alguém se aproximasse demais.

Em uma aventura boba nos aplicativos sociais, acabou por conhecer Matheus. Ele, um pouco mais velho que ela, era pai, divorciado, work a holic empreendedor no ramo de roupas.

O primeiro encontro, no bairro da Liberdade, passaram um dia passeando e conversando. Foram olhares, toques, gestos. E quando ela menos esperava, houve o beijo. Aquele beijo. No segundo encontro, ela conheceu seu filho. Ela adorava crianças. O terceiro foi mais intenso, ela foi à casa dele e, entre vinhos e conversa furada, acabou por se entregar.

O quarto foi uma viagem, junto à amigos dela, na casa de praia dela. E o clima estava ótimo, como se tivessem se conhecido à anos. Já se chamavam por apelidos carinhosos, com uma sincronia nunca experimentada por ela. Um fim de semana único, mágico.

Dias depois, inexplicavelmente, ele sumiu. Não havia mais contato, nem procura, nem encontros. As conversas diárias noturnas eram secas e escassas. A ausência era notável em seu humor do dia a dia. Não sabia o que pensar, o que achar, o que fazer.

Mariana não sabia o que havia acontecido. Resolveu perguntar, questionar. E as primeiras respostas eram sempre o tempo ocupado pelo trabalho, ou o filho, ou a ex esposa. Desculpas aceitáveis e coerentes. Mas… Seria realmente esse o problema? Em sua última conversa, ele apenas disse que tudo havia sido rápido demais. O envolvimento o havia afetado e, ele mesmo não sabia se esse era o rumo que queria.

Mariana ruiu. Sentiu uma faca atravessando seu peito. Não sabia o que fazer, o que sentir, o que pensar. Não houve lágrimas, nem arrependimentos, apenas uma enorme mágoa pela ausência sem motivos. Seguiu em frente, sem olhar pra trás. Não havia porquê, quando, ou onde. Não havia pontas soltas,  apenas a sensação de que poderia ser mais e não foi.

A vida é uma só. E viver é uma droga, que deve ser sentido, saboreado e experimentado aos poucos. Quanto mais intenso, maior pode ser o tombo, mais profundo pode ser o corte, mais fatal pode ser a experiência, deixando cicatrizes que sempre estarão amostra em nossas almas.

Viva, mas com moderação.

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