Alec Reidy/ Abril 9, 2017/ Contos, Devaneios Noturnos Aleatórios/ 0 comments

Noite de sábado, um convite, argumentos e argumentos, reclamações, indignação. Uma balada, música eletrônica, um calor infernal, uma muvuca descontrolada, corpos suados que não se cansam. O aniversariante, um amigo, anos sem contato. Pessoas desconhecidas, assuntos levianos, bebidas e mais bebidas, sorrisos falsos, cara de paisagem. Desconforto, muito desconforto.

No meio do caos, um sorriso luzia do canto paralelo, timidamente, envolto em um conjunto de saia tetra com uma camisa branca roseada. Cabelos castanhos, pele clara, altura mediana, um sorriso encantador. E que sorriso! Observo oculto, olhares cruzados, vergonha explícita, disfarço. Olho novamente e me deparo com duas jabuticabas mel na minha direção. Face ruborescida, uma bebida, fumódromo, ar fresco, um cigarro escondido.

Antro enevoado, lágrimas de orvalho, um silêncio convidativo. As portas se abrem, ela entra cintilante. Ignoro, não olho, me concentro. Face carminada, olhos ao chão, pés inquietos, uma aproximação maior. Cigarro em terra, um perfume doce, um sabor leve de Amarula com tabaco. Mãos atônitas, incrédulas, pressionando dois mundos a ocuparem o mesmo espaço.

Olhos atentos, cravados, palavras flutuantes. Um flerte, um sorriso, aquela mordida saliente de canto. Uma sugestão, uma dúvida, um desejo. Toques suaves, cabelos apalpados, beijos insinuantes, murmúrios acanhados, a decisão, o aceite.

Uma saída à francesa, um destino desconhecido, uma recepção fervorosa. Duas taças de vinho, a meia luz da sala, um sofá chumbo aveludado. O silêncio, a sala do apartamento, um jazz suave. Lá fora, uma garoa fina, uma janela enorme, cortinas entreabertas.

Olhares insistentes, desejo estampado, aquele sorriso insinuante. Minha mão repousava sobre sua cintura, sentindo cada fio do linho de sua camisa, enquanto suas mãos percorriam meu rosto num singelo sorriso indecente. Parou entre meus cabelos, estes agora entrelaçados entre seus dedos. Subitamente, sua boca veio de encontro à minha. O sabor de amarula, agora fora sobrescrito pelo vinho amadeirado.

Entre rebolados e afagos, suas mãos vieram de encontro à minha gola, descendo vagarosamente. Cada casa no caminho se abria entre seus dedos ágeis. Minhas mãos repousavam em suas ancas macias, na tentativa de suprimir todo o ar entre os corpos. Suavemente, minha cabeça foi puxada ao lado, abrindo caminho a afagos provocativos. Minhas costas sentiam suas garras, em marcas firmes e escarlates de desejo.

A camisa agora surfava pelo ar indo repousar no chão frio. Ela se afasta e tateia meu peito nu, fitando cada centímetro do mesmo. Com um movimento sutil de suas mãos, ordena que eu me sente e retire meu cinto. As mesmas jabuticabas tímidas agora se mostravam insaciáveis,
com um sorriso fixo e sensual. Ela solta seus cabelos e lentamente começa a se despir.

Suas mãos puxavam minhas calças ao chão, sua boca percorria meu corpo. Objetivo cumprido, suas mãos vão diretamente ao alvo aprumado, em movimentos suaves e carinhosos. Tão logo ganham companhia umedecida, agora em movimentos mais agressivos. Minhas mãos marcavam o couro do sofá, na tentativa de obedecer suas ordens de não tocá-la. Ações monitoradas pelas jabuticabas que atentamente vigiavam meus movimentos.

Ela então se levanta e se debruça sobre meu corpo, em um encaixe perfeito e completo. Sua vulva transborda sobre minhas coxas, em movimentos suaves. Delicadamente deslizo meus dedos em cada centímetro de seu pomo e a sala é preenchida com leves lamúrias. Os gestos lentamente se aceleram, minhas mãos agora depositadas sobre sua cintura, auxílio e suporte. Os gemidos se toram súplicas. Seu torso agora em frenesi. Sua boca junto à minha, minhas mãos em seus glúteos. Um estado de sinesia se aproxima. Seu corpo agora ereto sobre o meu, cavalgando com maestria.

E eis que vem o êxtase. Corpos suados e trêmulos, entrelaçados. Um arfar de um desejo latente. Gritos agudos de alívio. Lábios inquietos em busca do par. Um abraço terno gratificante.

Um vislumbre pela janela entreaberta. Uma brisa adentrando o apartamento. Um aroma, cigarro de cravo. Do outro lado, janelas à meia luz. Um voyeur? Uma resposta ofuscada indiferente ao momento. Não houve preocupação.

E há êxtase. E há o arfar. Dois olhos em busca de mais ardor. Duas bocas se completando. Duas mãos inquietas.

E há mais vinho. E há mais suor. E há a noite.

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