/ março 27, 2016/ Contos, Devaneios Noturnos Aleatórios, Eu

Assim me lembro bem… Naquele madrugada o karaokê que frequento estava estranhamente vazio. Sábado, onde constantemente o salão é cheio, os lugares são disputados e é comum haver pessoas de pé, atendidas no balcão em um estreito corredor, pela falta de lugares. Não naquela noite.

Eu acompanhava alguns amigos. Antigos, recentes e, em particular a VP, uma pseudo-lésbica conhecida recentemente que ia pela primeira vez na casa e comigo. Em determinado momento, ela sussurrou “quando for fumar, poderia me dar um cigarro?”. Acenei com a cabeça e sinalizei que já estava indo fumar em instantes.

Subimos as escadas, conversando normalmente. Ao chegar no fumódromo, apenas recordo de ter segurado a porta com o braço estendido pelas costas, enquanto com a outra mão, tentava pegar o maço no bolso da calça.

Ao virar, fui arremessado contra parede me roubando um beijo de tirar o folego. Aquela pouca vontade contida agora era puro desejo a ser consumido. As mãos esqueceram o cigarro e agora tateavam freneticamente suas curvas, escondidas sob uma calça preta, apertada e sensual. Puxava meus cabelos, enquanto a outra mão tateava minha braguilha e fomos parados quando outro rapaz entrava no fumódromo soltando o comentário “eu não estou aqui”.

Risos a parte, cigarro fumado, o rapaz acabara de sair quando novamente me rouba um beijo, dessa vez mais suave e provocativo. Parou na metade enquanto sorria e fazia um sinal para que eu a seguisse de volta ao salão geral.

Mais bebidas, mais conversa, todos reunidos na mesa. Sinto o celular vibrando e para minha surpresa, uma mensagem dela, com o texto “não tenho compromisso para hoje de manhã. Quer terminar aquele beijo que fomos interrompidos”. Atônito e sem graça, apenas sorri e não consegui mais encara-la pelo resto da noite.

Indo embora, já eram 5h da manhã, ela manda outra mensagem “então?”. Novamente sem graça, apenas confirmei com a cabeça disfarçadamente. Deixei todos no local e, como se todos já soubessem, fomos embora apenas eu e ela, que mora próximo a minha casa.

Chegando em casa, não deu tempo nem de fechar a porta do quarto direito e já fui arremessado sobre a cama. Era uma briga de velocidade, para ver quem despia o outro mais rápido, acompanhado por um longo beijo, molhado e cheio de vontade.

Sua boca percorria meu corpo, experimentando cada centímetro do meu tronco, enquanto as mãos massageavam suavemente seu alvo final, agora já desperto. Minhas mãos inquietas acariciavam sua cabeça enquanto trabalhava com maestria.

Papéis invertidos, a puxo novamente para um beijo, que vagarosamente desce pelo lóbulo, explorando seu corpo. O silêncio agora quebrado pelos urros e gemidos. Suas mãos forçavam minha cabeça contra sua virilha, enquanto me encarava mordiscando seus lábios.

Suavemente com as pernas, me jogou de lado e debruçou sobre meu corpo, me beijando. Os movimentos eram suaves, seu corpo trêmulo e os beijos carinhosos. Aos poucos se tornaram agressivos, cheios de vontade, em gemidos afoitos e puxadas de cabelo.

Exaustos, deitados sobre a cama. Sua feição agora angelical e a manhã mal começava. Entre sorrisos e comentários, beijos e banhos. E o ciclo se repetia novamente.

A pergunta que eu remoía internamente, resumidos em uma única resposta dada por ela ao ir embora. “Sou lésbica ou bi, não importa rótulos, apenas minha vontade momentânea e inconstante. Me ligue quando quiser, e estarei aqui quando menos esperar.”

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