/ abril 30, 2017/ Acaso, Contos, Eu, Intimidade

A mente agitada me intriga. São palavras que vem e vão, se ligando e desligando umas das outras, em uma valsa constante. E o branco da tela continua branco, nada surge além de ideias desconexas.

Em um dedilhado rápido vem a primeira frase. Aquela que dará abertura e ritmo a tudo. E em segundos, um mundo inteiro de palavras começa, letra a letra, a se erguer.

Os olhos, ainda semi serrados, se abrem lentamente. A alma começa ditar a receita enquanto o coração entreaberto, assume a forma de bruxa. Diante de seu caldeirão, obedece a alma, e o caldeirão é preenchido item a item, segundo a receita.

“Meio litro lágrimas e duas colheres de solidão. Deixe ferver. Acrescente duas porções de tristeza, uma de realidade, uma xícara de amor, meia de perseverança. Mexa, mexa, mexa. Agora, duas latas de amizade, uma xícara de carinho, uma pitada de malícia. Deixe descansar. Borrife perseverança e um punhado de raspas de esperança.”

Assim é meu coração. Uma bruxa arredia, diante do caldeirão, seguindo os pedidos da alma e servindo à pobre criança que é minha vida.

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