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A Bruxa do Destino

A mente agitada me intriga. São palavras que vem e vão, se ligando e desligando umas das outras, em uma valsa constante. E o branco da tela continua branco, nada surge além de ideias desconexas.

Em um dedilhado rápido vem a primeira frase. Aquela que dará abertura e ritmo a tudo. E em segundos, um mundo inteiro de palavras começa, letra a letra, a se erguer.

Os olhos, ainda semi serrados, se abrem lentamente. A alma começa ditar a receita enquanto o coração entreaberto, assume a forma de bruxa. Diante de seu caldeirão, obedece a alma, e o caldeirão é preenchido item a item, segundo a receita.

“Meio litro lágrimas e duas colheres de solidão. Deixe ferver. Acrescente duas porções de tristeza, uma de realidade, uma xícara de amor, meia de perseverança. Mexa, mexa, mexa. Agora, duas latas de amizade, uma xícara de carinho, uma pitada de malícia. Deixe descansar. Borrife perseverança e um punhado de raspas de esperança.”

E eis o resultado. Torto, cheio de erros, completamente imperfeito. Tal qual o coração repleto de cicatrizes, o texto assume a sua forma deformada.

O que esperar de uma mente bagunçada com um coração em frangalhos e repleto de rachaduras?

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